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Luiz Carvalho de Moura morreu sem o devido reconhecimento da Ponte Preta

Apesar da folha de serviços prestado ao clube, dirigentes deixaram de homenageá-lo em vida

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No dia 16 de janeiro de 2015 publiquei texto sugerindo que dirigentes da Ponte Preta tivessem sensibilidade de homenagear, em vida, o singularíssimo pontepretano Luiz Carvalho de Moura, após completar 95 anos de idade.

Seu Luiz, ou Luizinho como era conhecido, adivinhava que a homenagem jamais se concretizaria. Morreu no último dia nove, após completar 98 anos de idade, sem atingir seu último sonho na vida: emplacar os cem anos.

Com redações de veículos de comunicação renovadas, já se previa que a nova safra de jornalistas, que desconhece a história da cidade, sequer reportaria a biografia de Luizinho quando da morte. Certamente ele merecia bem mais de que um mero registro em seção de necrologia, até porque por mais de 60 anos esteve ligado diretamente ao futebol de Campinas, inicialmente atrelado à Ponte Preta, e posteriormente na presidência da Liga Campineira de Futebol.

Além disso, a longevidade de Luizinho no comércio de Campinas havia transformado a sua antiga loja - a Fotoelétrica - em ponto de encontro dos desportistas da cidade, no início da Rua Conceição. Por 53 anos ele manteve o estabelecimento comercial ligado ao ramo de fotografia.

Há de se ratificar o nobre gesto do saudoso presidente da Ponte Preta, Carlos Luís Vacchiano, nos anos 80, quando homenageou em vida o radialista Sérgio José Salvucci, destinando o nome dele à sala de imprensa do Estádio Moisés Lucarelli.

Naquela época, dirigente de futebol cultivava a memória de quem tinha reconhecida folha de serviço prestada ao clube.

CENTROAVANTE

A modernidade sepultou essa prática. Logo, provavelmente vários dos atuais dirigentes da Ponte sequer sabem que Luizinho foi centroavante do clube entre 1941 e 44, e gabava-se de marcar gols de todo jeito.

Luizinho atuou num time formado Serafim; Rodrigues e Emílio; Pintinho, Pagode e Nascimento; Birigui, Silas, Luizinho, Arvico e Nardinho.

Depois, o futebol atravessou período do amadorismo marrom, e Luizinho não conseguiu conciliar o trabalho de fotógrafo ao de atleta. Dinâmico, montou o seu próprio estabelecimento - a Fotoelétrica.

CONSTRUÇÃO DO ESTÁDIO

Cabe informar aos desinformados dirigentes pontepretanos que Luizinho foi membro ativo da comissão de obras do Estádio Moisés Lucarelli. E transportava tijolos, areia e cimento no porta-malas de seu Fordinho-38. “Eu comprava com o próprio dinheiro e doava”, contou em entrevista à coluna há três anos.

É prudente comunicar aos dirigentes que em abril de 1954 Luizinho assumiu as funções de diretor de futebol da Ponte Preta, com história até de um rapto de jogador.

“Eu e o Natal Gabeta fomos ao Estado do Paraná e raptamos o centroavante Baltazar, que batia um bolão. Em outro caso, na praia em Santos, eu vi um rapazinho comendo a bola na areia. Fui até a casa dele e convenci o pai para que o rapaz jogasse na Ponte. Este cara bom de bola é o lateral-esquerdo Célio Taveira, que depois jogou no Vasco, Corinthians e futebol uruguaio”, revelou Luizinho na citada entrevista.

Ainda na Ponte Preta, Luizinho transitou por vários outros cargos diretivos, até se acomodar na função de conselheiro nato.

FUTEBOL AMADOR

Nos anos 60 e 70, Luizinho presidiu a Liga Campineira de Futebol e, como sexagenário, até o final da década de 70, ainda vestia a camisa três do time que levava o nome de sua loja, formando dupla de zaga com o então policial Ari Costa, que posteriormente se transformou em radialista. “Comigo era bola ou bolim. Passava a bola, mas não passava o adversário”, contava Luizinho,

Nos últimos anos de vida, sequelas de um derrame resultaram em paralisação parcial dos membros inferiores, e por isso teve que recorrer à cadeira de rodas.