Paulista

Treinadores falam sobre situação de momento e divergem sobre as causas

Alguns lembram da falta de união entre os próprios treinadores e há quem diga sobre o absurda rotina de demissões nos clubes

Publicado em 14/01/2020
por Agência Futebol Interior

Campinas, SP, 14 (AFI) - O dia nacional do treinador de futebol, comemorado neste dia 14 de janeiro, traz desavenças entre os profissionais. Alguns comemoram, outros reclamam. O futebol vive uma fase conturbada em que um trabalho a longo prazo é quase impossível.

O Portal Futebol Interior aproveitou o dia para conversar com alguns treinadores. Guto Ferreira, do Sport, falou da importância da profissão no futebol, enquanto Tarcísio Pugliese, técnico do XV de Piracicaba, elogiou a classe, mas acredita que ela tenha muito a melhorar.

Outros entrevistados foram Paulo Roberto Santos, Waguinho Dias e Argel Fucks.

GUTO FERREIRA

Guto Ferreira: contribuição para o show
Guto Ferreira: contribuição para o show

"Todo trabalho bem feito precisa de uma liderança e dentro do futebol isso não pode faltar.

Não apenas nas partidas, mas desde do início na preparação, nos treinamentos.

O treinador dá uma contribuição a mais para o show, para o espetáculo que é o futebol.

O treinador precisa estudar muito para realizar o melhor trabalho em uma determinada equipe e isso faz a diferença na hora de se comunicar com os jogadores e mostrar o trabalho antes, no momento e depois do jogo."

Tarcísio: desunião
Tarcísio: desunião

TARCÍSIO PUGLIESE
"O treinador está sendo mais valorizado nos dias de hoje e tem um peso maior para as equipes. Mas ainda falta uma união maior entre a classe.

Precisamos lutar por melhorias e ainda temos também muito o que aprender. Precisamos nos reinventar e estudar sempre. Toda equipe precisa de um treinador qualificado para colher grandes frutos."


EMERSON LEÃO
"Infelizmente, a profissão de treinador de futebol está muito desprestigiada. É desagradável o modelo de administração nos dias de hoje. É lamentável uma equipe trocar cinco treinadores em um único ano.

Leão não admite tantas trocas de comando num só ano
Leão não admite tantas trocas de comando num só ano

Na hierarquia, o técnico só perdia para o presidente. Hoje é o último. É algo que me incomoda e que eu não concorde, por isso resolvi me afastar. Sou um filho do futebol.

Virei jogador aos 15 anos, me formei em Educação Física e acabei virando treinador após um convite do presidente do Sport e logo fomos campeões do brasileiro em cima do Guarani.

A transição foi algo bem tranquila. Vivi bons momentos na área técnica, mas hoje só tenho o que lamentar a respeito da profissão. Lógico, tem treinador ganhando milhões, mas também têm os que ficam implorando para serem empregados."

WAGUINHO DIAS

"Uma profissão instável, insegura e que não depende somente do treinador, mas sim de um contexto. É para poucos. Quem faz com amor, dedicação e gostam se sentem com muito prazer. Essa profissão é digna e é de pouco. Precisa-se de oportunidade e tempo. Eu amo o que eu faço.

Waguinho Dias
Waguinho Dias

Gosto muito de poder contribuir na carreira de todos atletas e, principalmente, no crescimento e gestão de um clube.

O técnico precisa ser uma pessoa completa e, ao mesmo tempo, entender todas as situações de clube, jogador e torcedor. Eu amo o que eu faço".

PAULO ROBERTO SANTOS

"A figura do treinador continua sendo uma figura muito solitária. Todos vencem, só um perde.

Falta união na classe e muita das vezes somos avaliados por pessoas que não tem o conhecimento da nossa profissão.

Sem contar que a figura do treinador de hj em muitas equipes já não tem mais o peso de antes"



ARGEL FUCKS

"A grande responsabilidade de nós, treinadores, neste dia, é de você treinar os jogadores e, principalmente, corrigi-los.

Isso é o mais importante. Nós temos obrigação muito grande. Além de treiná-los, é preciso corrigir. Isso é um papel enorme para todos os treinadores do futebol brasileiro.