Adeus a Ferrari, de ponta-direita a lateral-esquerdo

Adeus a Ferrari, de ponta-direita a lateral-esquerdo

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O que os laterais-esquerdos Miranda e Ferrari tiveram em comum na trajetória como atletas de futebol?

Ambos iniciaram a carreira no Guarani como ponteiros-direitos, foram recuados à lateral-direita, e circunstancialmente adaptados à lateral-esquerda, destacando-se pela eficiência na marcação e bom passe.

Miranda cumpriu todas as etapas no próprio Guarani, enquanto Ferrari se familiarizou à lateral-esquerda quando se transferiu ao Palmeiras em 1963, para ocupar o lugar de Geraldo Scotto, que havia sofrido fratura na perna.

O torcedor palmeirense havia estranhado a contratação de um lateral-direito para jogar na esquerda. Aí foi informado que no Guarani Ferrari havia atuado algumas partidas na ponta-esquerda, e sem traumas. Logo...

Pois esse Ferrari de história bonita no futebol morreu neste 15 de julho em Campinas, aos 79 anos de idade.

TÍTULOS

Ferrari, apelidado de ‘Bruxa’, ficou no Palmeiras até 1969. Lá colecionou os títulos paulistas de 1963 e 66, Rio-São Paulo de 1965, e dois anos depois comemorações no Torneio Roberto Gomes Pedrosa e Taça do Brasil.

Antes de encerrar a carreira, ele retornou ao Guarani. Posteriormente passou por Comercial de Ribeirão Preto e Paulista de Jundiaí.

Lançado no time principal do Guarani em 1959, Ferrari caiu no gosto da torcida ao marcar um dos gols na vitória por 3 a 2 sobre a rival Ponte Preta, quando o time bugrino teve essa formação: Walter, Sávio e Bidon; Antonio Rosa, Waldir e Benê II; Ferrari, Fifi, Vilalobos Benê e Friaça.

Depois, recuado à lateral-direita, integrou um quarteto defensivo bugrino formado por Ferrari, Ditinho (Carlão), Eraldo e Diogo. A despedida ocorreu em dezembro de 1962, no empate por 3 a 3 contra Prudentina, em Presidente Prudente. E como Belluomini não agarrou a vaga, o substituto foi o pedreirense Oswaldo Cunha.

PRAÇA DE ESPORTES

Até pouco tempo Gilberto José Ferrari administrava a Praça de Esportes Olímpio Dias Porto, no bairro Cidade Jardim, em Campinas. Era um chefe mandão e até malcriado com boleiros do futebol amador que fugiam das normas para uso do campo de futebol.

Claro que a maioria dos usuários daquela praça não se deu conta que aquele senhor de 1,70m de altura, calvo e de rosto enrugado fez parte da Academia do Palmeiras nos anos 60, atuando numa defesa que tinha Valdir; Djalma Santos, Djalma Dias, Waldemar Carabina e Ferrari.

Ferrari trabalhou ainda como metalúrgico da empresa Roberto Bosch, em Campinas, e por fim o emprego público na Prefeitura de Campinas.